Suspensão do Maracap paralisa repasse às obras do Hospital do Câncer Aldenora Bello

Cerca de 2500 pessoas também podem ficar sem trabalho e renda no Maranhão.

A medida judicial que suspendeu por tutela antecipada a comercialização do título de capitalização Maracap provocou a paralisação dos repasses mensais que a Cruz Vermelha Brasileira do Rio de Janeiro fazia há quatro meses para a Fundação Antônio Dino, mantenedora do Hospital do Câncer Aldenora Bello (HCAB), em São Luís (MA). A suspensão das atividades também pode vir a gerar demissão, desemprego e acabar com a única renda fixa de centenas de famílias maranhenses.

Os números da Invest Capitalização S/A, empresa responsável pela emissão e comercialização do título de capitalização Maracap, em parceria com a Cruz Vermelha Brasileira, apontam que a suspensão pode deixar 2.483 pessoas sem trabalho e renda na capital e em dezenas de municípios, caso a medida judicial se prolongue. A empresa já recorreu da referida medida judicial e aguarda decisão da ação que entrou no Tribunal Regional Federal da 1ª Regaião.

De acordo com o demonstrativo de pontos de vendas e vendedores por representação comercial, 33 funcionários com carteira assinada em regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), 64 prestadores de serviços (autônomos), 19 representantes comerciais, 1.585 pontos de vendas e mais 782 vendedores ambulantes podem ficar sem trabalho e sem sua única renda fixa, caso perdure a suspensão da comercialização do referido título de capitalização.

Entraves na saúde

O vice-presidente da Fundação Antônio Dino, Antônio Dino (foto), informa que nos últimos quatro meses foram repassados pela Cruz Vermelha Brasileira para o Hospital o total de R$ 250 mil reais. Parte dos recursos vem sendo usados na reforma, humanização e modernização da área da fisioterapia e ainda na aquisição e reforma de equipamentos e compra de medicamentos.

A previsão de inauguração e entrega da nova área da fisioterapia, modernizada graças aos repasses do Maracap, acontecerá em dezembro deste ano. Segundo Dino, os próximos repasses ajudariam na climatização de parte do hospital e modernização da rede de informática com a aquisição de novos computadores. "Essa previsão foi feita para os próximos recursos que o Maracap repassaria à Fundação", observa o vice-presidente do HCAB.

O prejuízo com a suspensão dos repasses do Maracap ao hospital também atingiu as obras previstas para a modernização das instalações elétricas. "A gente não tinha esse dinheiro e quando passamos a ter colocamos em prática os projetos do Hospital. Agora, vai atrasar nossos planos e até paralisá-los", disse Dino. Segundo ele, ficarão paradas até achar novo doador ou voltar os repasses do Maracap, que representam um valor significativo no montante de doações.

Em média, o HCAB realiza 30 mil atendimentos mensais, sendo 85% pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e filantropia e mais 15% dos planos de saúde. A Fundação mantém ainda casas de apoio para pacientes carentes de outros municípios, que recebem acolhida, alimentação, transporte, medicamentos, roupas, brinquedos, cestas básicas, orientação psicológica, pedagógica, espiritual e atividades sociais. A parceria entre o Maracap e a Fundação é pioneira entre a referida instituição e uma empresa privada.

"Fico triste de ter essa suspensão. Essa parceria tem ajudado muita gente. O HCAB e outras instituições beneficiadas sentem a falta desses recursos. Todo recurso é muito brigado", destaca Dino. As doações do Maracap somam para a modernização do hospital e ajudam muitos pacientes no tratamento e até o próprio Estado no atendimento de saúde pública, realizado por meio da Fundação Antônio Dino.

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