SOBRE A SUCESSÃO MUNICIPAL

Há mais de um ano para as eleições municipais de 2016, os pré-candidatos começam a se movimentar com desenvoltura na capital e no interior do estado. Em São Luís o deputado federal João Castelo não se alto coloca como pré-candidato à Prefeitura de São Luís e atribui ao povo a responsabilidade da indicação: “o eleitorado é sábio, conhece a minha vida pública” –acrescentando- que “se a população quiser que eu seja candidato estarei, como sempre, à disposição para a luta”. Castelo articula, inclusive, mudar de legenda para não ser surpreendido pelo PSDB que o impediu de concorrer ao Senado, em 20014, embora fosse, à época, o preferido da maioria dos eleitores, segundo mostravam as pesquisas. 

A vereadora Rose Sales deixou o PCdoB por dois motivos básicos. Primeiro porque não estaria se sentindo à vontade para tomar posição, na Câmara, sobre a administração do prefeito Edvaldo Holanda Júnior, com quem o partido tem compromisso irrestrito de apoiá-lo. Esse ponto foi esclarecido pela própria direção do partido ao aceitar a desfiliação da vereadora e liberá-la para ingressar em outra legenda sem o risco de perder o mandato. 

O segundo motivo tem respaldo no fato da vereadora pretender ser candidata a prefeita e, para a concretização dessa decisão Rose Sales não teria o respaldo do PCdoB, que, conforme foi dito, tem compromisso de apoiar a reeleição do atual prefeito. A vereadora, defensora intransigente da democracia e da liberdade, reagia, na Câmara, aos ditames ou orientações do PCdoB e, agora, busca um partido identificado com as causas que defende e que lhe garanta o direito de disputar a Prefeitura de São Luís, no próximo ano.

Observa-se, nesse episódio, que os princípios defendidos pela maioria dos partidos, teoricamente, nem sempre, na prática, são exercidos. O exemplo de Castelo ser impedido, pelo PSDB, de disputar o cargo de senador em 2014, sob a alegação de que os dirigentes do Diretório Regional haviam firmado acordo de apoiar Roberto Costa (PSB) seria o motivo principal dele (deputado João Castelo) pensar em trocar de legenda para, em caso de vir a ser candidato a prefeito, não ficar a mercê de uma nova traição. 

OUTROS PRETENDENTES

Os outros pretendentes ao cobiçado cargo de prefeito da capital maranhense seriam Roseana Sarney ou Ricardo Murad (PMDB), deputada federal Eliziane Gama (PPS), Haroldo Sabóia (PSOL), Marcus Silva (PSTU), o próprio prefeito Edvaldo Holanda (PTC) que disputará a reeleição, dentre outros. 

POSIÇÃO DO GOVERNADOR

Depois da declaração do governador Flávio Dino de que poderá apoiar algumas candidaturas na condição de militante, sem envolver a máquina administrativa que comanda os opositores de Holanda que militam na mesma base, ficaram mais entusiasmados, acreditando que a disputa terá um forte caráter de honestidade e que a vitória será confirmada àquele que tiver, efetivamente, os votos independentes da maioria do eleitorado. Falta ao prefeito, também, abrir mão das benesses do poder e ir para a disputa, de igual para igual, com seus concorrentes. Alguém acredita nessa possibilidade?

NO INTERIOR

Em vários municípios do interior do estado, estão definidas as pré-candidaturas. Em Caxias, por exemplo, o deputado e presidente da Assembléia Legislativa, Humberto Coutinho que a administrou (2009 a 2012) e passou a faixa ao sobrinho, pretende voltar em 2016, ao comando administrativo da “Princesa do Sertão”, um dos mais importantes municípios do Maranhão. Lá são pelo menos mais cinco candidatos de oposição. Em São João Batista, município pequeno e pobre, já se contabiliza oito pretendentes ao cargo hoje ocupado por Amarildo Pinheiro. Apenas dois exemplos. 

MISTÉRIO NA CÂMARA

O presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Astro de Ogum, até semana passada não havia definido qual o banco que ficará com a milionária conta da Casa. O Bradesco, atualmente detentor, o Itaú e o HSBC estariam na disputa para “administrar” a conta bancária do legislativo municipal. Quatro meses depois de assumir a Presidência, o presidente não decidiu nada a esse respeito. 

Parte do funcionalismo interessado na definição de Ogum, indagam: que mistério é esse? E clama para o presidente ou à Mesa Diretora se sensibilizar e tomar uma posição a respeito do tema. Os servidores alegam que o Bradesco, atual detentor da conta não pode conceder empréstimos consignados, atualmente suspensos, enquanto não houver autorização da direção da Casa. Está feito o apelo, repetido nesta coluna.

TAPA BURACOS

O prefeito Amarildo Pinheiro informou à coluna que deu início aos serviços de “tapa buracos” na sede do município de São João Batista, danificada pelas fortes chuvas. “Mesmo com o aperto do orçamento, autorizei a realização da obra por ser de absoluta urgência” – disse. Amarildo informou, ainda, que embora não dispondo de recursos extras, de outras arrecadações, sem que seja FPM, vai iniciar serviços de recuperação física e sanitária no Matadouro e na Feira de São João Batista. Enquanto isso, aqui na capital o prefeito Edvaldo Holanda está devendo à população, esses serviços: feiras sujas e ruas e avenidas continuam esburacadas.

AMOR AO PODER

A briga intestina travada no Congresso Nacional pelos presidentes das duas Casas (Renan Calheiros – Senado e Eduardo Cunha da Câmara) é por mais poder junto ao Palácio do Planalto. No final um se sentirá vitorioso e o outro desprestigiado. Nenhum, porém, terá coragem de romper com o governo. Quando Cunha fala em travar a tramitação de projetos “de interesse dos senadores” deixa claro que não existe para eles, “interesses do país”, mas, deles próprios. O perdedor dessa luta, se houver, desconhece aquele princípio que nos ensina ser melhor e mais honroso “morrer de pé a viver de joelhos”. Aliás, o que se vê nas casas legislativas (de vereador a senador), é gente de joelhos. E puxando saco. E os poderosos adoram isso...

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