Um Congresso de vergonhas

Por João Batista Azevedo (Interino)

Nunca nos tempos da república se teve um Congresso envolto num lamaçal tão grande quanto o atual. O que se vê no dia a dia é de causar náuseas ao mais comum dos cidadãos brasileiros. No Brasil fica claramente demonstrado que em política quase tudo é feito contrariando normas morais e princípios éticos, pois, para começar, os políticos não são éticos quando mentem aos seus eleitores. Mas, doravante, o que temos visto nas últimas semanas na política brasileira é absurdamente imoral e antiético. Um verdadeiro jogo de trapaças!
É comum, quando alguém menciona este estado de coisas, vir junto o esclarecimento de que uma minoria é responsável por ele, que há grande quantidade de bons políticos e outras coisas, mas a nossa observação nos leva a concluir que, pelo contrário, há muito poucos políticos bem intencionados, que chegam a abandonar a carreira por não concordarem com o que acompanham entre seus pares, e também por não suportarem a pressão que aqueles lhes fazem para que se aliem às suas falcatruas. É isto que se tem visto na política brasileira.

Somos todos culpados...
Diante dos fatos, podemos concluir que somos todos culpados. Ou porque nos acomodamos com tal situação, ou porque, distanciados da realidade, quase sempre elegemos os mesmo corruptos. Senão vejamos!
Quando explode cada um dos inúmeros escândalos de corrupção, a mídia explora exageradamente os fatos, parecendo estar a serviço de grupos de oposição aos que são alvos de investigações. Mas mesmo assim, como se tudo isso fosse pouco, nada é feito para punir os culpados, trazendo outro elemento à nossa cena política: a impunidade. Esses mesmos políticos envolvidos nos casos de corrupção, que enojam a maioria dos brasileiros, acabam sendo reeleitos, provavelmente pela massa popular manipulável, mantida pobre e com baixa escolaridade exatamente com esse propósito. Ninguém pune ninguém, fazendo parecer que todos, nos três Poderes da República, nos três níveis de governo, têm algum tipo de culpa, e que entre eles há pactos de não se incomodarem uns aos outros. Alguém pode até ser condenado, mas não cumpre a pena.
O legislativo aprova leis baseadas em princípios imorais para benefício dos próprios políticos e, se algum deles é questionado por alguma ação obscura, afirma que o seu ato é legal, já que a lei existe. Nossos políticos lançaram a sua reputação e os seus parâmetros éticos ladeira abaixo, pois nas pesquisas sobre a credibilidade das instituições eles estão sempre em último lugar e, cinicamente, parecem não se incomodar com isso.
Arre!

Em conversa com as pessoas...
Diferentemente da época do Collor, que teve a grande maioria do povo a favor do seu “impeachment”, ao lado dos inúmeros setores organizados da sociedade civil, como Centrais Sindicais, Universidades, CNBB, OAB, além dos “caras-pintadas”, e muitos outros, para o caso da Presidenta Dilma, não se vê unanimidade. Pelo contrário as opiniões se dividem e uma grande maioria é contra o “impeachment” da Presidenta Dilma. Mesmo concordando que ela faz um governo péssimo, e que os erros cometidos levaram a essa crise política e econômica.

PMDB, quem te viu, quem te vê!
O PMDB nem de perto lembra o grande partido que já fora na época das “diretas já”, e das lutas pela redemocratização do país e que teve grandes ícones da política nacional, como Ulisses Guimarães, Paulo Brossard, Franco Montoro, Pedro Simom, Tancredo Neves e tantos outros. É agora mais um partido de oportunismos. Tanto lá quanto cá. As verdadeiras lutas tem dado lugar aos interesse corporativistas de quem está à frente de seus diretórios. O resultado disso é o esvaziamento certamente.
No PMDB de São Luís as querelas caseiras parecem brigas de “comadres’. Renegam-se nomes testados em favor de figuras anônimas e desconhecidas do universo partidário e eleitoral por pura picuinha. E assim, o PMDB, o outrora grande partido, vira cada vez mais um partidinho.

Eleições para gestores escolares
Ninguém nega que foi uma boa iniciativa, essa do governo estadual estabelecer eleições diretas para gestores escolares. A crítica ficou por conta do processo eleitoral em si. A pressa em realizar as eleições, sem uma devida maturação da ideia junto à comunidade escolar, parece ter sido o primeiro de muitos erros.
Após uma enorme exigência de certidões para constituição e inscrição das chapas, e a elaboração de uma proposta de Plano de Gestão (a nosso ver essencialíssimo), o que se viu foi o pouco interesse pelo cargo e pelo pleito, uma vez que cerca de 20%, das escolas que teriam eleições em São Luís, não constituíram nenhuma chapa; das que constituíram chapas, cerca de 50% formou chapa única; apenas 18 escolas registraram mais de uma chapa. Somando-se a mais erros estratégicos, um seletivo que certificaria e habilitaria os candidatos ao pleito, reprovou a maioria dos concorrentes, deixando as chapas inexistentes ou incompletas. Resultado: o que era pra ser um grande feito para a Educação, serviu apenas como o desmonte da estrutura de gestão vigente nas escolas.

Em cima do muro
Esta é a posição, até então, dos muitos deputados federais e senadores do Maranhão em relação ao processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff que corre no Congresso. Se alguns já têm posição definida estão calados, exceção feita à Deputada Eliziane Gama que, ao que parece já se definiu como a favor do impeachment, o que poderá talvez até a lhe trazer prejuízos na sua intenção de angariar votos junto ao eleitorado beneficiário do programa bolsa-família. Outros, podem até ficar serelepes, mas sabem que tem um pé no céu e outro no inferno.
Outros porém, ainda que não estejam satisfeitos com o governo, não veem razões jurídicas para desapearem a Dilma da Presidência e entendem que tudo é retaliação do tresloucado Eduardo Cunha, que surpreende pela força manipuladora do poder. É esperar pra ver!

Flávio Dino marca posição
A contrário de alguns que pensam que o Governador Flávio Dino está se aproveitando da oportunidade, a grande maioria, inclusive eu, acha que ele agiu de maneira correta quando buscou formar a frente de governadores que apoiam a Presidente Dilma e são contra o que chamam de golpe. Como homem da carreira jurídica, Dino sabe das inconsistências que permeiam o pedido de “impeachment”. De quebra, se tudo der certo, será bem visto aos olhos do palácio e do país. É isso aí!

Nenhum comentário

Por favor, peço que não usem palavras chulas ou que denigram pessoas em seu(s) comentário(s). Agradeço sua compreensão.