A degenerescência do cacique

O senador José Sarney dissimulou ao declarar que nunca se intrigou com os governadores que o sucederam desde 1969, quando deixou o governo do Estado para ser candidato, em 1970, ao Senado. A história registra inimizades entre ele e Antonio Jorge Dino (seu vice), Pedro Neiva, Nunes Freire, João Castelo, Cafeteira e, agora, José Reinaldo Tavares. Edison Lobão, quando governador, se omitiu na “guerra” por poder de influência travada entre Fernando Sarney e o filho Edinho, em nome da lealdade ou da indisposição para brigas. Provocado ele foi e não pode negar.

Em todos os embates Sarney usou o jornal da família para fazer ameaças veladas aos “liderados” que tentavam descumprir o estabelecido ou desdenhar da sua autoridade. Antonio Dino, Pedro Neiva e Nunes Freire se defenderam e o acusaram usando a mesma arma: a imprensa. Castelo e Cafeteira, além disso, levaram as desavenças ao palanque nas campanhas eleitorais subseqüentes ao rompimento.

No período de quase oito anos que Roseana governou, Sarney chegou a confessar publicamente que não ousaria dar palpites na administração da filha. Possivelmente para justificar aos “afilhados políticos” que não poderia ajudá-los. Pelo menos assim interpretaram os observadores naquela época.

No último discurso que proferiu como presidente do Senado, Sarney criticou o volume de Medidas Provisórias editadas pelo Governo Federal. Pretende o quê? Dizer o Lula que não está satisfeito com indefinição dele sobre a ida de Roseana para o Ministério, e forçá-lo a resolver logo essa questão?

O governador José Reinaldo já deixou claro que não moverá nenhuma palha para impedir que Roseana seja ministra. Mas, se ela usar o cargo para atrapalhar o governo estadual e, consequentemente, prejudicar o Maranhão, Lula terá que escolher entre o apoio dele e do seu grupo, e o da família Sarney. E como as flores da oligarquia “começam a murchar”...

Seria prematuro afirmar que o senador, na tentativa de sensibilizar ex-aliados, optou por dizer verdades ou esse comportamento é conseqüência da idade avençada do chefe da oligarquia? Pois, a contradição entre o que ele fez e falou no passado com o que faz e fala no presente, é fato incontestável.

Antonio Dino, Pedro Neiva e Nunes Freire já não estão entre nós para confirmar o barulho de ontem e de hoje promovido pelo ex-deputado, ex-governador, ex-senador pelo Maranhão, ex-presidente da República biônico e do Senado e atual senador pelo Amapá, mas a história está aí mesmo à disposição de “quem interessar possa”. Ela não mente!

Pode-se dizer, finalmente, que o senador José Sarney, de jovem udenista a velho peemedebista, apoiou na trajetória política governos da ditadura, foi algoz da esquerda e, por interesse pessoal, chegou ao centro e agora pousa de esquerdista ao lado dos não menos confusos Lula da Silva e José Dirceu.

“Ideologicamente”, Sarney é, a exemplo do saudoso deputado Nagib Haickel, governista de carteirinha. Sua maior preocupação: ser influente e poderoso. Pura e vergonhosa degenerescência...

PS 1 – O Ministério Público trabalhou com eficácia e rapidez no caso das estradas vicinais fantasmas. Seria pedir demais que agisse dessa maneira com relação às denuncias cabeludas e incalculavelmente muito mais danosas aos cofres públicos envolvendo Roseana Sarney e os seus comparsas?

PS 2 – Faleceu no início da madrugada de ontem, na UTI do Hospital UDI, em São Luís, o ex-prefeito de São João Batista Jorge Figueiredo. Atualmente, Figueiredo exercia o cargo de assessor da Secretaria Extraordinária de Coordenação Política do município, onde gozava de grande amizade e respeito dos seus conterrâneos. O prefeito Eduardo Dominici levou condolências à família do ex-prefeito e decretou Luto Oficial por três dias em respeito à memória do ex-aliado que deixou a todos nós exemplos de amizade e fraternidade.

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