HIPOCRISIA E OPORTUNISMO

O Brasil chora e lamenta a morte brusca do ministro Teori Zavascki que morreu juntamente com mais quatro pessoas que o acompanhavam num vôo de São Paulo à Parati, cidade que fica localizada na divisa dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, na tarde de quinta-feira (19). Manifestações sinceras e convincentes de muitos brasileiros circularam na imprensa e nas redes sociais sobre o caráter, a competência e a simplicidade do ministro do Supremo Tribunal Federal, relator dos processos oriundos da Operação Lava Jato.
No bojo dessas manifestações, observou-se, também, a posição de hipócritas e oportunistas que dizem admirar, reconhecer e aprovar as decisões, com alta dose de isenção por ele adotada no exame dessa matéria, quando na verdade não admitiam de bom grado as posições de Teori Zavascki inseridas nos despachos prolatados em processos que atingem políticos da alta cúpula dos partidos e que têm assento no Congresso Nacional.
É do conhecimento público que os tribunais deste país, inclusive o STF, em tempos idos sofriam influência de políticos importantes. Isso mudou, é verdade, mas potentados como Renan Calheiros e outros não concordam com a absoluta isenção exercida hoje por membros de tribunais, inclusive, repito, do STF que julga esses que possuem o chamado foro privilegiado. Portanto, o lamento expresso por vários deles é medido pelo grau de hipocrisia e de oportunismo.
O substituto do ministro Teori Zavascki será um dos atuais membros do Supremo Tribunal Federal, considerando-se a demora da indicação e tramitação do processo do nome que o presidente Michel Temer vai escolher e encaminhar ao Senado para ser aprovado. E a homologação das delações dos executivos da empresa Odebrecht requer urgência para que o trabalho da Operação Lava Jato não sofra nenhum tipo de procrastinação. A designação do novo relator, por essa razão e para o bem do Brasil deve ser decidida, já nos próximos dias.
E seria importante que a equipe de juízes e advogados que trabalha nesse processo, que tinha como relator Teori Zavascki permanecesse colaborando com o novo relator.

ESPECULAÇÕES
As redes sociais e alguns programas de rádio país a fora especularam ao bel prazer os motivos da viagem do falecido ministro a Parati e, também, sobre as causas do acidente (?) que ceifou a vida de tão ilustre membro do Poder Judiciário brasileiro. Um dos filhos dele, inclusive deixou a sua incerteza ao declarar que “estava torcendo para ter sido um acidente”. Ele teria pensado em outras possibilidades? Com certeza essa declaração deu margens às pessoas para especularem. Falaram até de sabotagem, mas os fatos indicam que, realmente, foi uma fatalidade, um acidente lamentável provocado pelo tempo chuvoso registrado em Parati no momento em que o piloto tentava o pouso.  

A NATUREZA REAGE
Na maioria dos estados, incluindo as capitais foram registradas catástrofes em decorrência das últimas chuvas e tempestades que atingem, principalmente, as áreas de risco, onde residem milhares de famílias de baixo poder aquisitivo. Em São Paulo as chuvas alagaram ruas, avenidas e até bairros inteiros, arvores foram arrancadas, carros flutuavam, pessoas morreram afogadas esse foi saldo chocante dessa realidade. É como se a natureza tão devastada pelo homem tivesse reagindo contra aqueles que a agridem e que não a respeitam há séculos.

REBELIÕES NOS PRESÍDIOS
Testemunha-se no Brasil uma verdadeira guerra entre as facções criminosas amontoadas nos presídios. Registra-se carnificina decorrente da luta pelo poder, sob a orientação do sindicato do crime, hoje dividido em várias facções que lutam por objetivos comuns. Matam, degolam e esquartejam rivais dentro e fora das penitenciárias. Os líderes determinam o que deve e o que não deve acontecer dentro e fora das cadeias e as forças policiais parecem impotentes para resolver os problemas. Os governos estaduais pedem socorro ao governo federal para resolver um caso que é deles, como aconteceu semana passada em Roraima e no Rio Grande do Norte.
A situação é tão grave que o governo federal não se faz de rogado e reconhece que pela repercussão interna e externa dessa triste realidade prisional, resolveu socorrer os estados atingidos, mandando tropas federais para ajudarem os contingentes policiais estaduais, no combate à violência que chega a vitimar inocentes nas ruas dessas cidades. É lamentável e revoltante.  

PREFEITOS EM DIFICULDADE
Muitos prefeitos recém – empossados enfrentam dificuldades não exatamente por falta de recursos financeiros, mas em virtude da bagunça que encontraram nas prefeituras, por irresponsabilidade dos antecessores, que não repassaram as informações reais na transição. Alguns deles enfrentam processos por conta da iniciativa dos sucessores incomodados com a falta de informações sobre a real situação administrativa encontrada nos respectivos municípios. Muitas dívidas contraídas irregularmente, contratos de funcionários em confronto às leis representam apenas parte desse aglomerado de atos irresponsáveis dos ex-gestores que deixaram muitas bombas para explodirem nas mãos dos atuais mandatários municipais que estão trabalhando diuturnamente para recolocar o trem nos trilhos, e o que é pior, se desgastando junto à população que nem sempre entendem o que está acontecendo.

A VIDA SEGUE
Os reeleitos não enfrentam esse problema porque simplesmente continuam navegando no mesmo barco seguindo na luta para alcançarem um porto seguro. Para eles a vida segue normalmente sem enfrentar tempestades. Não se pode apostar, porém, se em 2020 os sucessores vão receber o barco ainda navegando ou naufragado...

DUTRA FELIZ
O prefeito de Paço do Lumiar, Domingos Dutra não esconde felicidade com a entrega do título de propriedade a centenas de famílias, pelo governo estadual, das quais ele era advogado na luta por essa importante conquista. “Precisávamos ter um governador com a sensibilidade de Flávio Dino para isso acontecer” – disse Dutra - na solenidade de entrega desse importante documento de propriedade às famílias que “antes viviam ameaçadas de despejo.”

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